quarta-feira, 28 de maio de 2008

Se depositasse sobre tudo o que és somente apenas alguns pedaços de recordações. O teu quarto seu refugio, quartel general de luzes que esbarram em amores, guarde teu eu imerso. Trafico de componentes do peito humano, nessa empresa de rotina, engrenagens de um sistema que mutila sua própria genitora sem mais indagações, não perdoam jogos com peteca. Por de trás da linha que a fumaça estende, esconde teus medos, sua vida jogada em cima de pilares que não sustentam nem a si próprio. Deixe tua adaga, que há um tempo incalculável, carregas junto ao seu coração, costas curvadas, por Deus homem, não precisa carregar nas costas teu coração. Um novo feto, em algum lugar inóspito, num canto qualquer, de um mundo qualquer, vem nova vida que nos culpara por só ter deixado as sobras do que foi um planeta inteiro. Maio já quase se foi entre quatro meses de nostalgias inevitáveis, alegrias naturais, no martírio de dias, nem tempo, nem nada, mas nada é por acaso, ou será na medida em que a dose é calculada, assim talvez escape gotas a mais que o cerebro necessita. Tua caneta bic empoeirada, tuas canecas de café manchadas de preto, chinelos remendados não agüentam território maior, alem de sua caverna embriagada de insônia. Tua idade necessita de uma roupa que te deixe melhor, como os velhos e suas canetas caras em um dos bolsos. Precisas avançar mais rápido que o crescimento das unhas, dos dedos amarelos pela planta que respira paz. Nutrirei todos os dias, dos dias todos do resto de um ciclo, o verde da esperança que renasce a cada nova flor que vinga.